Red String: Um grande problema…

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Atualmente, existem alguns ensinamentos que estão sendo amplamente difundidos como práticas que vão atrair energias positivas, ou para trazer algum tipo de benefício financeiro, ou para afastar o Ayin Hara(“mau-olhado”), que estão sendo erroneamente associadas a Kabbalah. A mais famosa entre essas práticas, que estão sendo adotadas por algumas pessoas, é a conhecida “Red String”, traduzido como fita ou pulseira vermelha, em אידיש(Iídiche) são chamadas de “Roite Bindele”.

Muitas pessoas atualmente estão adicionando esse tipo de prática em suas vidas. Prática que vem sendo constantemente “patrocinada” por pessoas famosas, atores de hollywood ou até mesmo organizações que associam seu nome a Kabbalah. Várias pessoas vem a alguns anos tentando criar algum tipo de “adoçamento” a essa “cordinha vermelha” que virou um tipo de “Moda”. Segundo seus idealizadores, a tal cordinha vermelha, “deve” ser feita de fino fio de lã vermelha que foi enrolado ao redor do túmulo de Rachel, em Bet Lehem(Belem) sete vezes. Para que tenha assim “efeito máximo”, dizem eles, e assim “deve ser amarrado ou usado em um de pulso esquerdo”.

A bem da verdade, é que não existe uma fonte verdadeira na Kabbalah que afirme que o uso de algo como uma “linha vermelha” em torno do pulso afaste o “mau olhado” ou por qualquer outro motivo. Na autêntica literatura cabalística, vermelho não tem “poderes mágicos”, nem têm qualquer ligação especial com a Matriarca Rachel. Pois de fato essa prática não tem absolutamente nada haver com Kabbalah e sim está associada ao movimento new age, apesar de sua origem ter vindo do hinduísmo, onde é referido como o Kalava onde é usado para afastar o mal de quem usá-lo. Tanto o antigo e o moderno budismo defende o uso de uma corda vermelha para a proteção e bênçãos. Para piorar o cenário, em muitas dessas pulserinhas são adicionados Nomes de D’us, ou nomes de anjos, ou contém pasukim da Torah. Práticas essas que são completamente proibidas, uma vez que a Torah não pode ser usada como “remédio” para o corpo. Muitos dos idealizadores apoiam-se em uma menção de Bereishis 38:27-28 onde está escrito que, quando Tamar deu à luz gêmeos, um dos bebês estendeu a mão. A parteira tomou “um fio vermelho e amarrou-o na mão, dizendo: ‘Este saiu primeiro'”1. Os comentários clássicos, de Sforno ou Hahayim, veêm o ato da parteira com o fio vermelho como apenas um meio de identificar qual dos gêmeos nasceu primeiro, ou seja, de maneira nenhuma foi visto como um gesto de proteção.

Além disso, existe algo mais preocupante e perigoso no uso dessas pulseras vermelhas. Pois a Torah nos diz, como esta escrito: “Não haverá em ti deus alheio, nem te prostrarás ante um deus estranho.”2, vamos nos prender apenas na primeira parte do pasuk que diz: “Não haverá em ti deus alheio”, essa parte, onde é dito “em ti” nos traz a ideia que, em nós não seja achado um deus alheio. Mas como pode ser achado em nós um deus alheio ? Pode ser achado, quando nós fazemos qualquer coisa que assemelha-se, imita ou fazer um hibur(uma associação) com um costume, os gestos, o modo de se vestir que foi ou é usado para um deus pagão e seus adoradores.
Mas o que isso tem haver com o as cordinhas vermelhas ?
Tosefta (Shabbat 07:01) nos diz que é extremamente proibido amarrar uma corda vermelha em torno do dedo porque é “darchei Emori”, que significa literalmente “caminho dos amorreus”, uma prática supersticiosa semelhante a idolatria. Isso é assim, pelo simple fato da Torah proibir o povo judeu de usar várias formas de práticas estrangeiras, incluindo superstições, bruxaria, adivinhações e feitiçarias3, mesmo que essas não sejam com fins de adoração(avodá zarah) de ídolos ou outros deuses4. O uso da pulseira vermelha para afastar o mal olhada, seria um ato de superstição, uma vez que não existe fonte cabalística que confirme tal uso e também algo que se assemelharia com práticas idólatras.

O Rebe, Rabi Menachem M. Schneerson, disse ter se oposto ao uso e, certamente, a crença nas cordas vermelhas5.
O Rambam resume seu ponto de vista sobre estes assuntos no Moreh Nevuchim, ele diz: “A mesma idolatria e práticas supersticiosas que, na sua opinião, manter certas desgraças longe de você, fará com que esses mesmos infortúnios se abatam sobre vós”6.

  1. 1 – Bereishis(Genêsis) 38:27-28
  2. 2 – Tehilim(Salmos) 81:9
  3. 3 – D’varim(Deuteronômio) 18:9-13
  4. 4 – Levítico 18:03 , Êxodo 23:24
  5. 5 – Conforme relatado por Rabbi Leibel Shapiro
  6. 6 – Moreh Nevuchim Bk. 3, Cap. 37

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