Yeshut, Bitul e Tikkun

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Um dos aspectos mais comuns vistos em pessoas que se endurecem espiritualmente é o yeshut(orgulho, o ego “inflado”). Yeshut é um estado em que a pessoa está completamente cheia de si, cheia do seu próprio “eu”.
Na maioria das vezes esse aspecto é tão forte que faz com que ela se ache tão importante aos seus próprios olhos, que o mais importante é a AUTOpreocupação, a preocupação com o seu próprio ser. E isso se torna dominante em todos aspectos da sua vida. Por conta deste aspecto, que ela de maneira alguma, aceita ou tolera, qualquer outra pessoa. Pois, qualquer pessoa que se apresente a ela é entendida como um oponente que visa diminuir sua existência. Yeshut, individualidade(ego) ou auto-afirmação(orgulho), é a própria antítese do princípio da yichud(unidade). É uma negação de uma realidade investida exclusivamente em D’us, que “enche o céu e a terra” (Jeremias 23:24), logo não há lugar desprovido de Sua Presença.Desta pessoa egocêntrica D’us diz: “Eu e ele não podemos habitar juntos.” Talmud, Sotah 5a. Essa pessoa é tão cheia de si que nele não resta lugar para D’us. Destas pessoas o Baal Shem Tov ensinou que o auto-engrandecimento é pior do que o pecado, pois para todas as corrupções e pecados, está escrito: “que permanece com eles no meio das suas impurezas[tumanot]” (Levítico 16:16); sobre os arrogantes, porém, diz-se, que ele não pode habitar tanto neste mundo, como está escrito: “Eu não posso tolerar aquele que tem altivez e um coração orgulhoso” (Salmos 101:5).”O grande problema é que a maioria das pessoas se deixa ser consumida por si mesma, o “eu” se torna tão poderosamente forte, que o desejo de se manifestar, de se pronunciar, de se fazer evidênte com suas próprias opniões se torna uma necessidade, pois ela tem dentro de si o desejo de identificação, de auto-reconhecimento constante, e isso é proporcionado pelo Yetzer Harah(a má inclinação), pois a pessoa, agora se afasta da Fonte e entra em contato com o que chamamos de “morte”, “impureza” ou tumah. Ela não consegue observar como as pessoas estão reagindo a ela, quem dirá como o espiritual está reagindo a ela. Ela não presta atenção nas coisas, ela só “SE” presta atenção.E é ai, que entramos em um conceito muito profundo, chamado Mayim Nukvin[águas femininas] que significa que para tudo que nós fazemos aqui embaixo, existe uma resposta lá em cima. Mas apesar desse estado tão profundo que uma pessoa pode se encontrar, existe uma saída que vai requerer dela MUITA humildade espiritual para fazer teshuvah em direção a Fonte. Na Chassidut e na Cabalá esse “estado oposto” ao yeshut é chamado de “Bitul” (Anulação), segundo a Chassidut a verdadeira Santidade significa ter bitul; isto é, quando a existência independente de cada um é “anulada” para D’us. Bitul, significa a anulação do próprio “eu”, das próprias vontades. Nesse mesmo sentido talvez consiga um estado de completa nulificação do “eu”(ego) que é o que chamamos de Bitul HaYesh.O Baal Shem Tov introduziu três termos, que descreve o processo psicológico interior que o indivíduo sofre ao relacionar-se e reagir à situação que o confronta. Estes termos são submissão, separação e suavização.

Submissão refere-se à humilhação do ego efetivada pelo silenciar da turbulência interior do pensamento.
Separação é o processo através do qual o mal é isolado, separado do bem e descartado.
Suavização é a reavaliação da realidade através da Luz liberando essencialmente o bem, que estava preso dentro do mal.

Esse processo de tikun(retificação) deve ser constante na vida de qualquer pessoa. A verdadeira retificação só é encontrada através do cumprimento de Torah e mitzvot.

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